DEFININDO BEM A TRADIÇÃO
A interpretação equivocada de um texto da palavra de Deus tem conduzido os seus servos a uma prática errônea, que, há séculos, vem dividindo as suas opiniões.
Essa prática é uma das que se referem à maneira de procedermos em nossas orações.
É verdade que o Senhor Jesus instruiu os discípulos com relação a esse assunto.
Por sinal, um ensino sobre como se deve orar, está em Mateus 6:5-13.
Pois, bem. Essa passagem, por não ter sido bem interpretada, vem resultando na aplicação incorreta de uma tradição, que, sem dúvida, nos exime de responsabilidade. A tradição a que nos referimos, é decorrente do versículo 10, do texto acima citado. Nesse versículo, o Senhor Jesus usou as seguintes palavras: “seja feita a Tua vontade”. A dificuldade para entendermos as instruções do Mestre, encontra-se exatamente nessas palavras; uma vez que as outras são de relativa facilidade. Porém, se atentarmos para as sutilezas da linguagem de Cristo, e usarmos uma boa dose de bom senso, veremos que Ele está considerando as situações em que já conhecemos a vontade divina. Um exemplo disso, notamos na oração do Getsêmani (Mateus 26:39,42).. Ali, Jesus já conhecia a vontade do Pai. Portanto, seu procedimento, naquela ocasião, não contradiz o que Ele mesmo afirma na tão conhecida oração do “Pai Nosso”. Pois, nesta última, o Senhor estava orientando os seus servos, para o fato de que deveriam respeitar a vontade do soberano Deus; não seguindo o mau exemplo dos gentios.
Um caso parecido com o que Jesus experimentou (Mateus 26:39,42), é o de uma irmã cujo esposo passaria para o Senhor dentro de dois dias.
Eis, aí, uma situação em que a serva do Senhor poderia até mesmo dizer, por hipótese: “Meu Deus, concede ao teu servo, mais alguns anos de vida. Mas seja feita a Tua vontade!”.
No caso dessa serva de Deus, o uso da frase em questão estaria correto; pois ela mesma já sabia, pela revelação divina, que seu esposo haveria de ser levado pelo Senhor. Esse episódio é diferente de muitos outros, em que, sequer sabemos qual é a vontade de Deus, e logo usamos a referida frase, como se fôssemos incapazes de conhecer a vontade divina ou como se, até mesmo, fôssemos proibidos de conhecê-la. Aliás, a tradição de que estamos falando, devido a uma interpretação errônea, vem servindo como desculpa da parte dos céticos, os quais, diante de um insucesso, para esconderem a incredulidade, tiram proveito dessa tradição, afirmando: Bem, nós oramos, mas é provável que não tenha sido a vontade de Deus.
Ora, essas últimas considerações jamais se harmonizam com o ensino de Jesus sobre a oração. Além disso, as passagens de Mateus 7:7,8, Mateus 18:18,19, Marcos 11:24, João 14:13, João 15:7, João 16:24 e 1ª de João 5:14, todas sugerem um conhecimento prévio da vontade do Senhor, não havendo pois, necessidade de nos dirigirmos a Ele na incerteza.
Para elucidar o que estamos dizendo, poderíamos citar, como exemplo, Marcos 11:24 e Mateus 18:18,19.
Sem dúvida, nas passagens do exemplo, bem como nas demais, qualquer pessoa de bom senso notará que Jesus se refere a um pedido feito já de acordo com Sua vontade; visto que, em Marcos Ele diz: “Tudo quanto em oração pedirdes crede que recebestes” (ARA); e em Mateus, Ele afirma: “O que aprovardes na terra, será aprovado no céu”. Todos os trechos aplicados para ilustração, mostram que a frase “seja feita a Tua vontade” não teria lógica, se usada com relação aos mesmos. Seria apenas uma redundância; visto que os pedidos já seriam feitos dentro da vontade de Deus. Assim sendo, uma vez que o Senhor fará somente aquilo que estiver de acordo com o Seu querer, só deveremos pedir a Ele, usando a fé, é claro (Hebreus 11:6), aquilo que estiver em harmonia com a Sua vontade! Uma observação: Como todos já devem ter percebido, os argumentos expostos até agora não tem por objetivo invalidar a tradição, cujas palavras saíram dos santos lábios do Senhor Jesus; e sim, chamar a atenção dos seus servos para o uso correto de Suas palavras. Não confundindo os casos em que já conhecemos Sua vontade e pretendemos reverter a situação (Mateus 26:39,42), com aqueles em que, sequer a conhecemos, e imediatamente apelamos para a tradição; pois, um caso não tem nada a ver com o outro; visto que há diferença entre ambos, como se pode notar!
Lembrando, ainda, que é inútil nos dirigirmos ao Senhor, em oração, para solicitar a Ele alguma coisa, sem antes conhecermos a Sua vontade. Pois a fé que não conhece derrota é aquela que está firmada na convicção da vontade divina (Romanos 10:17 – a fé vem por conhecer a vontade de Deus); a exceção disso, a fé não vai além de um monossílabo tônico, constituído de uma consoante, uma vogal e um sinal gráfico, a que chamamos de acento agudo, e nada mais!
Esperamos que essas explicações tenham sido satisfatórias; lembrando a todos que a frase “Seja feita a Tua vontade” está para o cristão, assim como a “internet” está para o seu usuário; visto que ambas dependem do uso que delas fazemos!
E, para terminar, deixamos claro que as palavras de Jesus em Mateus 6:10, continuam em vigor, é lógico; desde que sejam aplicadas nas situações em que a vontade divina já é conhecida. Tal como nos casos de Jesus, no Getsêmani (Mateus 26:39,42), e da irmã cujo esposo passou para o Senhor; ou algo parecido. Afora essas situações, a prática da tradição não tem qualquer respaldo bíblico, conforme vimos nos contextos!
Que Deus nos abençoe e fale melhor ao nosso coração, e não nos esqueçamos de que o conhecimento de Sua vontade e a fé são duas ferramentas poderosas e infalíveis em nossas orações; e mais: os nossos cinco sentidos só devem ser considerados, quando não contradizem a vontade de Deus! Amém!